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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Enxergando a verdade!



Numa cidadezinha do interior existiam dois poetas.
Um era locutor de rádio e todas as manhãs declamava uma linda poesia; fazia muito sucesso por isto!
O outro era autor de uma coluna diária num jornal impresso e ali nas manhãs sempre em letras deixava poesias diversas, porém não tinha tanto êxito como o locutor de rádio!
O estilo dos dois era parecido, falar em versos sobre a natureza.

Mas o que deixava o colunista do jornal exausto era o fato dele tentar todos os dias a mesma coisa, fazer uma poesia que conseguisse falar da natureza com tanta qualidade quanto o locutor de radio conseguia.
Porque será que era tão difícil para ele falar da natureza em versos, de um jeito que cativasse mais os seus leitores?

Então começou a ler artigos sobre a natureza; a ir a lugares que lhe inspirasse a fazer um lindo poema sobre este assunto. Foram meses de tentativas!
E todos os dias era o mesmo resultado, não fazia melhor do que o locutor de rádio!

E exaurido tomou uma decisão, iria ficar na porta da Rádio em que o locutor trabalhava e tentaria desvendar o mistério.
Onde afinal o locutor encontrava inspiração para escrever daquele modo tão sublime, que causava tanto encanto?

No outro dia lá estava o colunista parado na frente da portaria da Rádio. E apreensivo perguntou para o porteiro o horário que poderia ver o locutor sair, e pediu que fosse avisado, pois queria conhecê-lo!
E logo o porteiro acenou e apontou para um homem que vinha saindo da Rádio e disse:

-Eis o locutor!




O colunista teve uma grande surpresa! 
O locutor usava uma bengala e óculos escuro?
Seria cego? Como um cego pode escrever o que não vê?

Então o colunista se dirigiu ao locutor... E a pergunta foi enfática:
- Responda-me...como um cego pode falar da natureza com tanta beleza? 

-Como pode falar sobre o que não vê? Tem algo errado, isto deve ser uma farsa!

 E o locutor respondeu:
Eu não consigo vê-lo, mas sei que está perto de mim e repleto de dúvidas!

E pelo tom da sua voz e pelas palavras que ouço posso saber se você está sorrindo ou não!

Eu não vejo o sol, mas ele aquece a minha pele!

Eu não vejo as minhas lágrimas, porém sinto o salgado delas lavarem o meu rosto, e o meu coração chora junto com elas!

Eu não vejo o mar, porém sinto as ondas acariciarem os meus pés!

Eu não vejo o pássaro, mas ouço-o cantar na minha janela bem de manhazinha!

Eu não vejo as plantas, porém quando planto sementes com o passar dos dias, posso sentir com as pontas dos dedos elas brotando no solo!

Eu não vejo a chuva, mas ouço os relâmpagos; posso sentir os pingos na minha pele e o cheiro da terra molhada!

Eu não vejo a noite, porém o silencio dela me dá paz! 

Eu não vejo a minha amada, mas quando chego em casa sinto o roçar da boca dela nos meus lábios, sinto o calor dos seus abraços e ouço a voz carinhosa dizendo:
Eu te amo!

Eu não vejo a vida, mas a sinto no meu coração!



E o silencio se fez, o colunista ficou parado olhando o locutor cego se afastar e com os olhos rasos d'água ficou pensando:


-Eu enxergo tudo, mas não vejo nada; meu Deus me ensina a sentir a vida com o coração!

Autora Janete Sales
Dany
Respeite os direitos autorais

 17/01/2013
10:45



Licença Creative Commons
O trabalho Enxergando a verdade! de Janete Sales Dany foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

6 comentários:

  1. Confesso que este texto me encheu de lágrimas por conter muita emoção. Todos deveriam experimentar tais sensações...
    Um grande abraço e um lindo dia!!!

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    1. Bom dia Malu eu acho mais difícil escrever um conto do que escrever uma poesia, porque não conseguimos ver por nós mesmos se quem lê vai ter a mesma linha de pensamento de nós mesmos!
      Se você apreciou e tocou o seu coração, fico feliz de ter conseguido passar sensações!
      Obrigado amiga pela visita e beijos!
      Lindo dia!

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  2. Olá Janete,sim é uma bela lição, recheada de sentimentos palpáveis.Os olhos vêem, mas não sentem o mesmo que a Alma. A Alma sente, mas não diz aos olhos a alegria do sentido. daí o ser Humano estar como está,(...).
    Obrigada pela partilha.
    Abraço

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    1. Olá Antonio Santos!

      Sim amigo é verdade a nossa alma pode nos dizer muito!
      Ás vezes ao se fechar os olhos pode se ver mais do que quando eles estão abertos...o que vale mesmo é enxergar de modo mais profundo as pessoas...a vida! Não podemos tirar conclusões do que é superficial, o nosso interior é o mais importante, ele sim diz claramente o que nós somos!
      Quano achamos uma pessoa limitada só por analisarmos a aparência, provamos que limitados somos nós!
      Eu que agradeço...e acabei refletindo novamente, algo que eu gosto muito de fazer!!!
      Obrigadoooooooo!
      Abraços!

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  3. - Dois pontos de vista, um vê com os olhos, vê tudo e não vê nada.
    - O outro vê com o coração e vê tudo.
    - É muito profundo e belo o que escreveu....
    Parabéns...

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    1. Bom dia Theo Ferraz!
      Há uma grande diferença em olhar a vida com sentimentos; do que a gente viver olhando só a nós mesmos!
      O que falta hoje em dia é olhar mais com o coração...são meus pensamentos diarios ao ver tanta violência...tanto desamor!

      Muito obrigado amigo pela presença!
      Um grande abraço!
      Ótimo fim de semana!

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