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domingo, 1 de junho de 2014

Veja meu filho, agora eu tenho coração!

Era uma vez um rei que tinha um coração extremamente duro...
Para ele os pobres eram seres que vinham de um mundo obscuro!
O filho do rei era ensinado deste pequeno a odiar a pobreza...
Bons para o rei eram os que tinham nascido no meio da riqueza!

A nação vivia sobre tensão, pois quem imperava não tinha compaixão...
O filho do rei discordava daquela situação; o pai cruel o deixava sem ação!
Ficava quieto e escrevia num diário, sobre o pranto de ver o triste cenário...
Cada folha da infância era de total desespero; ele era filho do homem gelo!

A coroa reluzente aumentava toda soberba e havia ouro no castelo!
E muitos súditos se ajoelhavam perante aquele que se achava belo...
O ódio o fez decretar uma lei; a morte para quem ajudasse um carente!
E assim durante anos a fio ele sentenciou o final de muita gente...

Para se sentir vitorioso e colocar medo em todos realizou algo surpreendente...
Fez um cemitério de frente ao castelo e ali só enterrava traidores e indigentes
Coitado daquele que não obedecesse ao rei; repugnância aos pobres era a lei!
Causou amargura naquele povoado; seres sem voz que viviam acorrentados!

Porém existiam corações bons que ajudavam os pobres no silencio da escuridão
Seres que mesmo tendo medo do homem atroz ainda praticavam a compaixão
Com olhares marejados os pobres famintos agradeciam de todo coração
Só que um dia no meio do auxílio havia um traidor que fez a desunião...

O rei ficou sabendo e arquitetou uma emboscada para prender os desertores...
Todos foram presos e o rei sentenciou mais uma vez a morte dos traidores!
O guardião do castelo quis dizer algo ao rei antes de concretizar a tal condenação
Mas o rei não quis ouvir e aos gritos ordenou que fizessem da sua ordem uma ação!

E festejou ao ouvir que o silencio foi partido com berros e muito sangue foi jorrado...
Corpos, uns sobre os outros e depois o susto ao ver entre eles o rosto do filho amado!
Ele fora traído pelo próprio fruto e agora uma parte dele iria para o mísero cemitério...
O rei lavou cada aposento do castelo com um pranto sem fim; acabou o império!

O guardião quis alertar que entre os traidores estava o príncipe; o filho do rei...
Mas não foi ouvido; a cegueira do ódio o fez cumprir com urgência a triste lei!
Sobre a cama do príncipe havia um diário; o rei abriu e começou a ler uma vida...
A última folha dizia palavras tão tristes; frases e lastimas de uma dor tão sentida:

— Meu pai matou tantos homens; só porque eles eram diferentes da gente...
— Estou aflito, pois este castelo do horror tem um cemitério logo em frente!
— Meu pai é um homem sem coração e fica feliz com cada morte anunciada...
— Daqui vejo sobre um túmulo o pranto e a angústia de uma mãe desesperada!

— Esta noite levaremos comida e carinho para os que estão passando aflição...
— A minha felicidade se traduz em cada sorriso que eu vejo depois desta ação!
— Eu me pergunto se meu pai soubesse deste feito, se ele mandaria me matar!
— Nada importa; o que importa é a fome de amor que eu vou alimentar...

Depois de ler estas palavras o rei mandou destruir o cemitério da tristeza...
E não quis mais o castelo e andava nas ruas abraçando os que viviam na pobreza!
O rei não tinha mais coroa; não tinha mais trono e não queria mais aniquilação...
Em cada lágrima o rei dizia algo por dentro: — Veja meu filho, agora eu tenho coração!

Janete Sales Dany


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O trabalho Veja meu filho, agora eu tenho coração! de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.



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