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segunda-feira, 17 de março de 2014

De quem eu falo?


Desprezei e não me arrependi
Nem um sorriso eu lhe ofereci
Passei por cima dele sem pena
Fiz ele se apagar da minha cena
O burro queria voltar para mim
Com muita força, não disse o sim!
O tratei como se fosse um nada
Ficou rogando na minha estrada
Ele será bloqueado para sempre
Nenhum tempo na minha mente
Não abrirei a porta ao me visitar
A mão eu ocultarei se me clamar
Eu o inibirei de qualquer episódio
De quem eu falo? O maldito ódio!

Janete Sales Dany
 Poesia Registrada na Biblioteca Nacional
Licença Creative Commons
O trabalho De quem eu falo? de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.



domingo, 16 de março de 2014

Mensagem de amor do além


Naquela manhã ela sentiu o chão sem o piso
O amor disse adeus e avançou para o paraíso
E o dia iluminado se tornou a noite da saudade
Difícil reconhecer aquela implacável realidade

Então, num sonho o amor voltou e nela se embrenhou
Ofereceu afagos e beijos molhados; deixou um recado!
Quando ela acordou havia algo vivo e latente na mente
As palavras de alento do amor ainda estavam presentes

Ela nunca mais se esqueceu da voz que dizia assim:
Não se queixe amor! Eu fui apreciar o nosso jardim!
Está carregado de flores! Serão as saudades de mim?
O aroma da rosa se foi; sinta a fragrância do jasmim!


Transponho as paredes; subo no céu e oscilo na estrela
Se me visita a saudade a qualquer hora eu posso vê-la
No inverno não careço de um cobertor; não há mais dor!
Não há desalento; não há mais distância e nem o tempo!

O ideal que eu sempre quis escalar agora está abaixo dos meus pés
Eu me jogo nas águas dos rios; na praia eu me envolvo com a maré
Fui recebido com abraços nostálgicos e olhares que logo reconheci
Lembrei-me do pranto que derramei quando acreditei que os perdi

Jamais estive na solidão; digo isto para tranquilizar o seu coração
Dorme no sossego amor; estou repousando nos braços do criador
É um equívoco prever que tudo acaba, esqueça que existe um fim
Se sentisse a liberdade que eu sinto, sorriria ao se lembrar de mim!

Janete Sales Dany
Licença Creative Commons
O trabalho Mensagem de amor do além de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

quinta-feira, 13 de março de 2014

A casinha triste do barranco

Uma casinha no barranco
Atrás dela um quintal amplo
Nele só tinha terra, um espanto!
Por causa disto dona Irma habitava no pranto

Só ficava lá dentro e já fazia muito tempo!
Olhava pela única janela da casa que ostentava um barranco
Abandonou às costas da moradia; 
não olhava e nem se arrependia
A janela exibia um horizonte de tristeza, 
por isto, preferia viver presa!

Então, Dona Irma padeceu num estado de depressão
Comia o que os outros lhe davam; alguns tinham compaixão
Os vizinhos perguntavam o que havia no quintal esquecido
Ela não respondia e nem ia ver o que poderia ter acontecido

Anos se passaram e dona Irma continuava no mesmo dilema
Não queria mais viver; achava que a vida era um problema
Nunca olhava atrás da casa; pois sabia que ali só havia terra
Uma posição negativa de quem pega a própria vida e enterra!

A tristeza acabou levando dona Irma para sempre
Depois do enterro os vizinhos foram avaliar e ver o que fazer
A tal casa triste do barranco 
que só tinha uma janela na frente...
Uma moradia velha, abandonada; que alguém jamais queria ter

Então foram matar a curiosidade e ver o que existia no quintal
Lá havia arvores com frutas 

e flores que seduziam qualquer mortal
A casa velha tinha um jardim que passou a ser alvo da ambição
Ignoraram a Dona Irma; todos desejavam aquela plantação!

Dona Irma perdeu a chance de refletir 
sobre o que havia esquecido
Todo mundo tem um tesouro na vida; mas o deixa adormecido
Quando o céu está nublado, 
no chão pode haver um jardim encantado
Quando existem flores mortas na trilha, 
no céu há uma estrela que brilha


Flores nascem e não avisam; arvores frutificam a toda hora
A natureza se encarrega de consertar tudo e não demora
Um terreno de terra seca parece não ter nenhum futuro
Mas não desdenhem as sementes esquecidas no escuro!

Estão ali quietinhas almejando pela chuva da esperança
Numa manhã chuvosa a natureza generosa entrega a herança
E naquele terreno desprezado surgem desenhos coloridos
Mostrando para todos que nunca deveria ter sido esquecido...

Janete Sales Dany
Licença Creative Commons
O trabalho A casinha triste do barranco de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.


O nome do personagem escolhido para esta poesia é fictício,
qualquer fato que tenha acontecido com alguém 
e que seja parecido com o desenrolar do que foi escrito 
é mera coincidência!

sábado, 8 de março de 2014

A chave da felicidade


Um homem soltou os pés pelo mundo
e ainda se sentiu preso
Ele impôs toda a sua lógica para milhares de pessoas
e ainda se sentiu impotente
Foi aplaudido por uma plateia imensa
e não se sentiu feliz
Herdou várias terras de seus antepassados
e ainda se sentiu pobre
E assim persistiu por muito tempo...

 


Até que um dia percebeu o grande erro...
Viveu uma vida inteira
e nunca tinha se contemplado por dentro!
Tesouros preciosos estavam à míngua...
Esquecidos no próprio íntimo;
perdidos e se corroendo pelo abandono
Compreendeu que o que ele tanto insistia
 era só ilusão mundana...
Nada que se leve para a eternidade!