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sexta-feira, 21 de março de 2014

O menino palhaço


O MENINO PALHAÇO



Todos os dias o menino palhaço 
fazia palhaçada na praça
E todos os dias no final da apresentação 
subia numa caixa...
E com muita força batia palmas e gritava:
 VIVA!


Na palhaçada de todos os dias, 
tinha dia que ninguém ria!
Mas no final de tudo, na caixa, o menino subia!
E dizia:
-VIVA!


Então, um dia perguntaram 
qual a razão da caixa e das palmas!
Ele respondeu:
-Porque eu mereço, amar a si mesmo não tem preço!
-Minha mãe já morreu...
-Mas sempre me dizia:
-Valorize o que é seu!

Depois de falar estas palavras, 
o menino subiu na caixa e disse:
VIVA!


Louco? Nada disto...
“AMOR PRÓPRIO”
Quando ele batia palmas ele dizia ao mundo:
-Eu existo!

Janete Sales Dany

 Poesia Registrada na Biblioteca Nacional


O trabalho O menino palhaço de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

terça-feira, 18 de março de 2014

Nós somos como um rio...



Uma poça d'água esquecida do outro lado do morro
Sofria uma solidão aguda, não era nada e pedia socorro!
Bem perto dela havia um rio que esbanjava propriedade
Visitado, amado e falado por toda a cidade...

Anos e anos se passaram e a poça d'água chorava e reclamava
O rio ria alto, queria mostrar a vantagem em que se encontrava
O sol sempre chegava querendo roubar a pouca água da coitada
O rio ria mais alto ainda, criava um eco no tempo que se passava

Nada é eterno neste mundo 
e um dia o inevitável aconteceu...
Ventania e chuva, sempre levam 
o que não é meu e o que não é seu!
Depois do dilúvio as águas dispersaram 
e brotaram em outros lugares
A poça d'água se transformou em um rio
 e a água do rio foi pelos ares!

Só que a felizarda ficou quietinha 
e nem festejou; pois se lembrou...
Que o antigo rio contava muita vantagem 
e agora sofre a estiagem
Tem gente que vive assim; rindo alto 
e se vangloriando de besteira!
Somos como um rio...
Um dia repleto de alegria;
 noutro tudo se vai pela corredeira!

Janete Sales Dany

Poesia Registrada na Biblioteca Nacional
Licença Creative Commons
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segunda-feira, 17 de março de 2014

De quem eu falo?


Desprezei e não me arrependi
Nem um sorriso eu lhe ofereci
Passei por cima dele sem pena
Fiz ele se apagar da minha cena
O burro queria voltar para mim
Com muita força, não disse o sim!
O tratei como se fosse um nada
Ficou rogando na minha estrada
Ele será bloqueado para sempre
Nenhum tempo na minha mente
Não abrirei a porta ao me visitar
A mão eu ocultarei se me clamar
Eu o inibirei de qualquer episódio
De quem eu falo? O maldito ódio!

Janete Sales Dany
 Poesia Registrada na Biblioteca Nacional
Licença Creative Commons
O trabalho De quem eu falo? de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.



domingo, 16 de março de 2014

Mensagem de amor do além


Naquela manhã ela sentiu o chão sem o piso
O amor disse adeus e avançou para o paraíso
E o dia iluminado se tornou a noite da saudade
Difícil reconhecer aquela implacável realidade

Então, num sonho o amor voltou e nela se embrenhou
Ofereceu afagos e beijos molhados; deixou um recado!
Quando ela acordou havia algo vivo e latente na mente
As palavras de alento do amor ainda estavam presentes

Ela nunca mais se esqueceu da voz que dizia assim:
Não se queixe amor! Eu fui apreciar o nosso jardim!
Está carregado de flores! Serão as saudades de mim?
O aroma da rosa se foi; sinta a fragrância do jasmim!


Transponho as paredes; subo no céu e oscilo na estrela
Se me visita a saudade a qualquer hora eu posso vê-la
No inverno não careço de um cobertor; não há mais dor!
Não há desalento; não há mais distância e nem o tempo!

O ideal que eu sempre quis escalar agora está abaixo dos meus pés
Eu me jogo nas águas dos rios; na praia eu me envolvo com a maré
Fui recebido com abraços nostálgicos e olhares que logo reconheci
Lembrei-me do pranto que derramei quando acreditei que os perdi

Jamais estive na solidão; digo isto para tranquilizar o seu coração
Dorme no sossego amor; estou repousando nos braços do criador
É um equívoco prever que tudo acaba, esqueça que existe um fim
Se sentisse a liberdade que eu sinto, sorriria ao se lembrar de mim!

Janete Sales Dany
Licença Creative Commons
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