Pássaros
presos, este era o fascínio de um menino...
Prendê-los e
esquecê-los; pouco importava o destino!
Queria
colecioná-los e assim os tinha de várias cores.
Gaiolas
esturricadas deles; pouco importavam as dores!
Se estavam
longe, usava o estilingue com precisão...
Num dia
inteiro eram dezenas; de cortar o coração!
Vivia
maquinando como preparar o melhor alçapão
Quando
presos, às vezes os alimentava, outras não...
O tempo foi
passando e o menino perverso cresceu...
Rosto e
corpo de homem; o coração não enterneceu!
Já não
utilizava mais o estilingue e sim uma carabina...
Trinta ou cem
num dia; pouco importava a triste sina!
Morava numa cidadezinha
do interior; num ninho da dor...
Espírito
impregnado de ódio; prazer na morte do amor!
Os olhos
escolhiam no céu algo que pudesse derrubar
Passou a
vendê-los; um tostão para poder se sustentar!
Todo dia era
dia de caça; perto ou longe ele ia buscar...
Certa vez
foi bem distante; algo novo queria encontrar!
Descobriu um
pássaro que nunca havia visto na vida...
Ficou
entusiasmado; queria alcançá-lo e fez a corrida!