Eu, um mendigo de rua... Sei o que é o frio das madrugadas e a dor da fome...
Certa vez, o meu único alimento, era um copo de leite... Eu tomava devagarzinho para saboreá-lo ao máximo. Estava gostoso e aquecia aquele dia frio de inverno...
Mas meu coração bondoso ouviu um pedido de um menino: -Moço me dá o que você está tomando!
Jamais negaria, pois sei o que é ter uma vontade impossível!
Estendi os meus braços fracos em direção daquela criança e dei a minha única alimentação. Depois fiquei olhando o menino se afastar...
Ninguém ouviu a voz da natureza nos trovões Ninguém viu quando atingiram as baleias com arpões Ninguém chorou quando o rio suplicou e quase secou Ninguém viu a bituca de cigarro que queimou a floresta Ninguém assistiu o suborno oferecido por gente desonesta Ninguém se comoveu com a fome do mendigo na calçada Ninguém se afetou com o olhar triste da criança abandonada Ninguém pensou em consumir menos para aliviar a terra Ninguém se manifestou ao ver outros países em guerra Ninguém gritou por paz quando vomitaram o mal Ninguém se apiedou com o trabalho escravo no canavial Ninguém impediu o esgoto de se encontrar com o mar Ninguém viu as fábricas jogando fumaças tóxicas no ar Ninguém freou o perverso na venda de animais em extinção Ninguém ao ver a fome pensou em repartir o pão Ninguém chorou a morte daquela árvore ainda verde Ninguém foi oferecer água para matar a sede Ninguém barrou a maldade do preconceito voltado às etnias Ninguém deu guarida às mulheres espancadas pela covardia Ninguém viu o teste letal de um experimento científico Ninguém ouviu o tiro da espingarda que matou o tico-tico Porém a natureza sentiu e se entristeceu no céu da imensidão Lágrimas solitárias e sem fim descem ao ver tanta ingratidão Ela chora ao ver que o planeta terra está morrendo A ganância de alguns, sufocam outros, que não estão vivendo! Tem dias que desce a tormenta devastadora do elevado... A ventania abre a prisão libertando o pássaro engaiolado O mar avança destruindo aquilo que nunca foi alcançado O ser humano neste momento fica desesperado Vem o esquecimento de cada atitude excessiva... As águas estão perturbadas e são agressivas... É a natureza implorando para ser respeitada Até parece nossa inimiga, mas é nossa aliada! Quer chorar sobre as queimadas... Chora no alto e chora no chão A humanidade está surda, e cega... Não tem compaixão!
Janete Sales Dany Todos os direitos reservados Poesia registrada e imortalizada na Biblioteca Nacional