Não me conheço mais, preciso do passado
em que eu trazia a paz no olhar a cada instante,
e, quando o pranto desce, indago atormentado:
—Cadê o céu azul do amanhecer distante?
Não me conheço mais, pois tudo está mudado,
a rara sensatez fugiu do meu semblante...
De todo o meu viver, perdi o meu reinado,
como existir assim e nesse breu gigante?
Às vezes, peço ao céu que me revele em sonho
a solução, porém acordo e sou o mesmo,
sem horizonte algum a prosseguir a esmo...
Às vezes, peço a Deus, nos versos que componho,
a tal felicidade, um pouco do que eu era
no tempo promissor da antiga primavera!
Janete Sales
Cadeira 05 - Patrono Augusto dos Anjos
Resumo:
O soneto expressa um profundo sentimento de nostalgia, marcado pela crise de identidade e pela angústia diante da passagem do tempo. O eu lírico demonstra dificuldade em reconhecer a própria imagem e sente saudade de quem foi um dia. Diante desse sentimento de desamparo e das transformações impostas pelo tempo, recorre à fé e ao divino, buscando respostas, consolo e, talvez, uma forma de reencontrar a si mesmo.
Atividade Abrasso:
um soneto
Tema livre. - Rimas ricas
cada acadêmico deve escrever
um breve resumo,
explicando a inspiração,
a ideia central ou a mensagem
que desejou transmitir
em sua composição.

