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domingo, 9 de outubro de 2022

ARIDEZ...

Nas épocas de seca morre o sonho,
surgem os retirantes, sem destino,
sem esperança... e em cada olhar tristonho
fulgura a prostração de um nordestino.

Atroz cenário, bárbaro e medonho,
mata o amanhã até do pequenino,
instiga a dor nos versos que componho,
reforça todo assombro que imagino.

Na vida, nunca o "sim", somente o "não",
de noite, a escuridão sem um luzeiro,
e a fome castigando o tempo inteiro!

São vultos, à procura de outro chão,
que avançam no horizonte de um talvez,
fugindo do fantasma da aridez!

Janete Sales Dany
Atividade
FÓRUM DO SONETO
(https://www.recantodasletras.com.br/sonetos/7624103)
TRILHA DE SONETOS LXXVII–
 DIÁLOGO COM A PINTURA
 “RETIRANTES - 1944", 
de Cândido Portinari

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

DESVENTURA


Revejo a desventura acentuada
no rosto do pedinte, e o ritual
em cada amanhecer, sem a morada,
jamais angariou o essencial...

Sentado, permanece na calçada.
No espírito, a amargura visceral!
Carência de alimentos na alvorada,
mas sonha com as sobras do Natal.

Na data ornamentada, a afobação
o torna transparente e sem ação
ao ver a indiferença desmedida.

Encara a ligeirice na avenida,
sabendo que o universo, esbanjador,
prossegue eternamente sem amor...

Janete Sales Dany

Soneto@todos os direitos reservados
Registrado na Biblioteca Nacional:(696/22)
no livro Presença de Jesus e outras
Conteúdo autoral, 
protegido pela Lei 9.610/98, arts.18 e 24.

Atividade 
FÓRUM DO SONETO

TRILHA DE SONETOS LIII
Ritmo heroico puro:
Com tônica nas sílabas: 2, 6, 10
Palavras escolhidas:
- Calçada- Indiferença- Visceral
Publicado no Recanto das Letras

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

O ESPECTRO DA FOME

O tempo passa e a fome continua
matando, torturando feito guerra...
Miséria persistente em toda rua
e assim, em cada esquina, a vida encerra.

Sabemos da verdade nua e crua —
há nítidas riquezas nesta terra...
Mas a ganância eterna não recua,
não vê a dor, o grito de quem berra.

Toda cegueira tem que perecer,
há de reinar o amor no amanhecer...
Indago, qual seria a solução?

Oferecer a mão, doar o pão.
Findar o desperdício tão mortal,
apenas consumir o essencial!

Janete Sales Dany

Soneto@todos os direitos reservados
Registrado na Biblioteca Nacional:(696/22)
no livro Presença de Jesus e outras
Conteúdo autoral, 
protegido pela Lei 9.610/98, arts.18 e 24.

Atividade 
FÓRUM DO SONETO
T7390564

Esquema de rimas:
ABBA ABBA CCD DEE
TEMÁTICA: Meio Ambiente ou Fome

Soneto:
O ESPECTRO DA FOME
Exemplo de rima rica:
Primeira estrofe:
CONTINUA-Verbo /
 RUA - Substantivo
GUERRA - Substantivo / 
ENCERRA-Verbo

Segunda estrofe:
CRUA - Adjetivo/
RECUA - Verbo
TERRA - Substantivo / 
BERRA-Verbo

Diferença entre rima rica e rima pobre:
Rica: As palavras que rimam são
de classes gramaticais diferentes.
Exemplo: Adjetivo/ Verbo
Pobre: As palavras que rimam são
de classes gramaticais iguais.
Exemplo: Verbo/ Verbo

MÉTRICA
O tempo passa e a 
FOme contiNUa
O/ tem/po/ pa/ssa e a /
fo/me /con/ti/nu/a
Tônicas na
e 10º sílabas

Licença Creative Commons
O trabalho ESPECTRO DA FOME de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-SemDerivações 4.0 Internacional.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

MENINO DE RUA - SONETO


MENINO DE RUA

Terei nascido numa triste aurora?
Surge o Natal e o pranto continua...
Onde estará a minha mãe agora?
A mendigar... verdade nua e crua!

Sinos tocam, a mágoa é tão sonora!
Jamais direi que a culpa é toda sua.
Quem vai ouvir alguém que chora, implora?
Há tantos rejeitados nesta rua...

No céu ressurge a nuvem passageira — 
vejo a imagem da casa que queria,
mas logo chove e o fôlego se esgueira...

A chuva dissolveu a fantasia,
esmoreceu o encanto da roseira, 
encharcou os meus pés na tarde fria!

Janete Sales Dany
T7358727
Soneto@todos os direitos reservados
Registrado na Biblioteca Nacional:(696/22)
no livro Presença de Jesus e outras
Conteúdo autoral, 
protegido pela Lei 9.610/98, arts.18 e 24.

Rima A: 
1- Substantivo/ 3 - Advérbio/ 
5 - Adjetivo/  7 - Verbo

Rima B:
2 -  Verbo/ 4 -  Adjetivo/ 
6 - Pronome/ 8- Substantivo

Rima C:
9- adjetivo / 11 - Verbo/ 
13 - Substantivo

Rima D:
10  - Verbo/ 12 - Substantivo/ 
14 - Adjetivo

ATIVIDADE ABRASSO:

Compor um soneto com tema CRIANÇA, com rimas ricas ou seja, rimas com palavras de classes gramaticais diferentes, da seguinte forma:
QUARTETOS – Rima A com quatro (4) palavras de classes gramaticais diferentes, conforme o esquema clássico.
Rima B da mesma forma, podendo repetir as classes gramaticais da rima A.
TERCETOS – Rima C com três (3) palavras de classes gramaticais diferentes, conforme o esquema clássico e podendo repetir as classes gramaticais das rimas A e B.
Rima D da mesma forma que a C, podendo repetir as classes gramaticais das rimas A, B e C.

São 10 as Classes Gramaticais:
Substantivo -Verbo-Adjetivo
Pronome-Numeral-Artigo
Advérbio-Preposição -Conjunção
Interjeição
Pode-se utilizar do recurso das LOCUÇÕES 
(Adjetivas, nominais, numerais, etc.) 
e também de SUBSTANTIVAÇÕES.

Tercetos com novas versões: 

MENINO DE RUA
VERSÃO 2
Terei nascido numa triste aurora?
Surge o Natal e o pranto continua...
Onde estará a minha mãe agora?
A mendigar... verdade nua e crua!

Sinos tocam, a mágoa é tão sonora!
Jamais direi que a culpa é toda sua.
Quem vai ouvir alguém que chora, implora?
Há tantos rejeitados nesta rua...

No céu ressurge a nuvem que fascina — 
vejo a imagem da casa que queria,
mas logo chove forte na campina.

A chuva dissolveu a fantasia,
arruinou a alegria cristalina,
encharcou os meus pés na tarde fria!

Janete Sales Dany

Rima A: 
1- Substantivo/ 3 - Advérbio/ 
5 - Adjetivo/  7 - Verbo

Rima B:
2 -  Verbo/ 4 -  Adjetivo/ 
6 - Pronome/ 8- Substantivo

Rima C:
9-  Verbo/ 11 - Substantivo/ 
13 - Adjetivo

Rima D:
10  - Verbo/ 12 - Substantivo/
 14 - Adjetivo

MENINO DE RUA
VERSÃO 3
Terei nascido numa triste aurora?
Surge o Natal e o pranto continua...
Onde estará a minha mãe agora?
A mendigar... verdade nua e crua!

Sinos tocam, a mágoa é tão sonora!
Jamais direi que a culpa é toda sua.
Quem vai ouvir alguém que chora, implora?
Há tantos rejeitados nesta rua...

No céu ressurge a nuvem que seduz — 
vejo a imagem da casa que queria,
mas logo chove e o sonho perde a luz...

A chuva dissolveu a fantasia!
Onde estará o abrigo, meu Jesus? 
Sou mais um que apresenta a mão vazia!

Janete Sales Dany

Rima A: 
1- Substantivo/ 3 - Advérbio/ 
5 - Adjetivo/  7 - Verbo

Rima B:
2 -  Verbo/ 4 -  Adjetivo/ 
6 - Pronome/ 8- Substantivo

Rima C:
9- Verbo / 11 - Substantivo/ 
13 - Vocativo

Rima D:
10  - Verbo/ 12 - Substantivo/
 14 - Adjetivo

MENINO DE RUA
VERSÃO 4
Terei nascido numa triste aurora?
Surge o Natal e o pranto continua...
Onde estará a minha mãe agora?
A mendigar... verdade nua e crua!

Sinos tocam, a mágoa é tão sonora!
Jamais direi que a culpa é toda sua.
Quem vai ouvir alguém que chora, implora?
Há tantos rejeitados nesta rua...

Ressurge aquela nuvem na amplidão — 
vejo a imagem da casa que queria,
mas logo chove e a vida diz que não…

A chuva dissolveu a fantasia!
Alguns dizem que ajudam, onde estão?  
Permaneço com fome, a tarde é fria

Janete Sales Dany

Rima A: 
1- Substantivo/ 3 - Advérbio/ 
5 - Adjetivo/  7 - Verbo

Rima B:
2 -  Verbo/ 4 -  Adjetivo/ 
6 - Pronome/ 8- Substantivo

Rima C:
9- Substantivo/ 11 - Advérbio/ 
13 - Verbo

Rima D:
10  - Verbo/ 12 - Substantivo/ 
14 - Adjetivo
Soneto Decassílabo Heroico
Tônicas sempre nas 6ª e 10ª Sílabas
Terei nascido NUma triste auROra?
2 quartetos e 2 tercetos

Licença Creative Commons
O trabalho MENINO DE RUA SONETO de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.



Mesmo com o envelhecimento da população, crianças e adolescentes ainda representam um percentual grande dos brasileiros. São 53,7 milhões de meninos e meninas que precisam ter seus direitos garantidos site UNICEF: https://www.unicef.org/

sábado, 18 de novembro de 2017

Soneto Alexandrino - Eu Sou a Humanidade

Um soneto alexandrino que foi corrigido
Terminações paroxítonas em todos os versos:

Eu Sou a Humanidade 
Soneto Alexandrino corrigido

Eu não nasci do agora, o meu tempo é distante!
Bem sei do preconceito e da sombra da morte 
E da terra tão seca e da sede constante
Tremi no terremoto, e só quero o meu forte...

Eu trago em mim a fome, e a íris suplicante!
Venho da Chernobyl, fui salvo pela sorte...
Eu vi sangue dos meus... Triste fuga marcante
Eu sou refugiado, eu fiquei sem um norte!

Eu não tenho meu lar, e só resta a memória
Escapei do tornado e vi tanta amargura
Vivo em busca da paz, e é tão longa esta história!

Sempre fujo da guerra, eu sou a humanidade!
Eu não nasci do agora e a injustiça perdura
Sofri na escravidão, sou a diversidade!

Janete Sales Dany


Poema@registrado e imortalizado
na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
No livro:Soneto lobo do gelo e outras
Numero: 9267/17
São Paulo Brasil


Sílabas tônicas que são obrigatórias na 6ª e 12ª sílabas
14 versos, 4 estrofes
Algumas vogais se unem e são separadas 
de forma diferente da contagem silábica gramatical

domingo, 22 de outubro de 2017

Eu Sou a Humanidade - Soneto Alexandrino


Eu não nasci do agora, o meu tempo é distante!
Bem sei do preconceito e da sombra da morte 
E da terra tão seca e da sede constante
Tremi no terremoto, e só quero o meu forte...

Eu trago em mim a fome, e a íris suplicante!
Venho da Chernobyl, fui salvo pela sorte...
Eu vi sangue dos meus... Triste fuga constante
Eu sou refugiado, eu fiquei sem um norte!

Eu não tenho meu lar, e só resta a memória
Vivo em busca da paz, e é tão longa esta história!
Sofri na escravidão, sou a diversidade!

Escapei do tornado e vi tanta aflição
Eu não nasci do agora e esta terra é meu chão
Sempre fujo da guerra, eu sou a humanidade!

Janete Sales Dany

Poema@registrado e imortalizado
na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
No livro:Soneto lobo do gelo e outras
Numero: 9267/17


São Paulo Brasil
Recanto das letras: T6149621
Licença Creative Commons
O trabalho Sou a Humanidade Soneto Alexandrino de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Soneto Anjo Triste - Decassílabo Heroico


O anjo de Deus desceu na nossa terra
E percebeu que o mundo estava em dor
O ser humano agora vive em guerra
Tormento ao ver o fim de tanto amor

Parece que a ganância nunca encerra
Vai morrendo a paz, morre o beija-flor!
Some o verde que ornava aquela serra
O cinza está no céu, tão turva a cor!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Soneto Lágrimas do céu - Decassílabo Heroico

A escassez me consome neste instante,
minh'alma pede amparo em cada olhar
Ferem meu universo suplicante,
martírio que jamais posso encarar...

Soberba que só lesa o semelhante,
perdi o viço e vivo a suplicar...
A dor dissimulada em meu semblante,
reprimi para não me devastar.

Pereci, quando vi que tanto faz,
para alguns pouco importa a minha paz.
Esperanças escorrem no cimento...

Prantos dos olhos tristes como os meus — 
tantas noites clamando para Deus...
E se chove... o céu viu esse lamento!

Janete Sales Dany
São Paulo- Brasil
25/08/2016
T5740004
Soneto@protegido por lei

Licença Creative Commons
O trabalho Soneto Lágrimas do Céu de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.



segunda-feira, 29 de junho de 2015

O amor morre e não vejo compaixão


Soneto Decassílabo Heroico

Quero gritar ao mundo o que está preso
Acabem com a fome dos famintos
Não tratem este apelo com desprezo
Os perversos revelam seus instintos

Jamais esqueço o medo do indefeso
Não sinto segurança nos recintos
A violência não quer o bem ileso
Salvem o ingênuo destes labirintos

A guerra avança e a paz vai para o chão
O amor morre e não vejo compaixão
Não se importam, e aumenta esta ferida!

Os nossos pulmões querem respirar
O estrago vai matando devagar
A fumaça entristece a nossa vida...

Janete Sales Dany
Poema@todos os direitos reservados
T5294234
Licença Creative Commons
O trabalho O amor morre e não vejo compaixão de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Versos de quem sente fome!


Hoje eu quero conversar com o seu coração
Dizer-lhe que eu me envergonho de ser um pedinte
Porém mesmo assim eu estendo a minha mão!

Os cheiros das frutas me lembram um sabor
 que hoje eu não posso provar
Nas docerias os doces coloridos 
só podem ser pinturas na minha visão
Das portas dos restaurantes 
saem um aroma que me fazem flutuar
Meus pés estão descalços, 
a minha roupa rasgada e o meu estomago vazio!
Nos mercados eu não posso entrar, 
eu sou visado como um ladrão
O meu sonho de consumo de longe eu espio!